terça-feira, 25 de novembro de 2014

Suicídio e Salvação

Infelizmente, as pessoas têm difundido alguns mitos sobre o suicídio que carecem de base bíblica e que têm trazido tortura a diversas famílias. Muitos afirmam que “o suicida está perdido”. Porém, não podem basear afirmação tão infeliz nas Escrituras. Sansão se encontra na “Galeria dos Herois da Fé” (Hb 11:32), mesmo tendo tirado a própria vida quando matou aos filisteus:
“E disse: Morra eu com os filisteus. E inclinou-se com força, e a casa caiu sobre os príncipes e sobre todo o povo que nela estava; e foram mais os que matou na sua morte do que os que matara na sua vida” (Jz 16:30).
Isso demonstra que nem todos os casos de suicídio levarão a pessoa à perdição eterna. Imagine alguém que amou a Jesus durante toda a vida e teve um desequilíbrio químico-cerebral, que o (a) levou ao suicídio por causa de uma depressão grave, ou até mesmo devido a um efeito colateral da medicação (que, na boa intenção do médico, estava sendo ministrada para ajudar a pessoa deprimida!)
Agora imagine Deus, o amoroso (1Jo 4:8, 16) e “justo juiz” (Gn 18:25), desconsiderando toda uma vida de amizade com esse filho (ou filha) que adoeceu, e decidindo condená-lo (a) à perdição eterna por causa do suicídio. Isso negaria Seu amor eterno (Jr 31:3); Sua graça, que é maior que o homicídio (Rm 5:20) e o ensino bíblico de que o juízo é pelas obraS, no plural (Mt 16:27; Ap 22:12), e não por obrA, no singular. Nos dois textos supracitados, a Bíblia ensina que Deus não julga o ser humano por atos isolados, mas sim que Ele considera a vida como um todo.
Com segurança podemos afirmar que, se Deus perdoou a Davi por seus muitos (1Cr 22:8; 28:3) e  mesmo assim o perdoou, considerando-o um homem “segundo seu coração” (At 13:22); se fez questão de colocar a Sansão entre os “Herois da Fé”, Ele pode perdoar ao suicida que amou a Jesus e que adoeceu por circunstâncias de um mundo de pecado.Nenhum de nós está livre disso…
Porém, a presente resposta não tem o objetivo de considerar aqueles casos em que a pessoa tira a própria vida pela falta de fé em Deus diante de um problema aparentemente sem solução. Esse é um caso completamente diferente, e não me atrevo nem mesmo a conjecturar a respeito (cf. Dt 29:29).
Além disso, como podemos ter a certeza de que alguém realmente tirou a própria vida porque lhe faltou a confiança em Deus no momento de desespero? Não sejamos “juízes” (Mt 7:1, 2). Somos muito falhos, limitados (e falsos) para exercermos tal função. Somente Deus, que sabe todas as coisas (Is 46:10), tem condições de avaliar plenamente o que se passa na mente de um suicida porque “o SENHOR não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração” (1Sm 16:7).
Sejamos misericordiosos e bondosos em nossas palavras. Levemos esperança às famílias que perderam parentes por causa do suicídio, e jamais deixemos pairar qualquer sombra de dúvidas na mente daqueles que ficaram, fazendo-os pensar que “nunca mais verão” aqueles que tanto amam:
“Não digam palavras que fazem mal aos outros, mas usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que ouvem.” (Ef 4:29, Nova Tradução Na Linguagem de Hoje)
“A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um.” (Cl 4:6).

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

NÃO SE OMITA

Por Alejandro Bullón

Castiga ao teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo.
Prov. 19:18




O texto original hebraico não menciona a possibilidade de castigar o filho a ponto de matá-lo. Ao contrário, a mensagem é “castiga o teu filho enquanto há esperanças porque se não o fizeres serás responsável por sua morte.”
O verbo castigar, em hebraico, Yassêr, envolve a idéia de instrução e repreensão. Mediante a instrução você planta a semente do conhecimento na vida do filho. Através da repreensão, tira as ervas daninhas que aparecem espontaneamente.
Ensinar é uma experiência fascinante. Nas últimas férias, viajei acompanhado de minha netinha de um ano e meio. Era impressionante vê-la repetindo as palavras. Os tios, tentando ensiná-la a fazer alguma coisa nova e ela, ávida por aprender. Pessoalmente gosto de ensinar. É como se a gente se dividisse em mil pedacinhos para viver no coração de outras pessoas.
Mas ensinar é apenas a metade do processo educativo. A outra metade, tão importante quanto a primeira, é a repreensão, ou castigo como o chama a Bíblia. Aqui não se fala necessariamente do castigo físico, embora do ponto de vista Bíblico, ele tenha lugar na  educação. A idéia do texto é chamar a criança para o bom caminho quando levada pelos instintos, se aproxima perigosamente do precipício.
A tendência moderna de excluir o castigo na formação da criança é temerária e pode ser fatal. O que você faria se o seu pequeno filho se aproximasse do abismo? Dialogaria. Correto. E se insistir? Continuaria dialogando, muito bem. E se ele continuasse insistindo? O retiraria dali? A vida está cheia de precipícios e abismos morais. Eles não envolvem apenas perigos físicos. Tem conseqüências eternas. Portanto, não se omita. Discipline, instrua e repreenda. Mostre o caminho e chame a atenção quando for preciso.
Não basta ser pai. Tem que disciplinar. Disciplinar é amar. Corrigir é ser responsável. Nessa dura tarefa você não está sozinho. O Deus que lhe deu os filhos como um presente de amor, saberá orientá-lo na educação dos mesmos.
Que Deus o abençoe. “Castiga ao teu filho enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo.”